Criar Imagens Diferentes Usando uma Teleobjetiva

A teleobjetiva é uma ótima ferramenta, para ajudar o fotógrafo de natureza a criar imagens únicas e originais. Normalmente, quando se pensa em fotografia de paisagem, surge a associação óbvia aos grandes cenários e onde os diversos elementos se distribuem de forma harmoniosa, desde o plano mais próximo ao mais distante. Na verdade, este é sem dúvida, um estilo de imagens esteticamente apelativo e bastante popular entre fotógrafos, mas que conduz frequentemente, à criação de imagens, muitas delas repetidas, sem originalidade e conseguidas quase sempre a partir dos mesmos locais. Contudo, quando se pretende compor uma imagem recorrendo a uma teleobjetiva, tudo se torna bem diferente e até mais desafiante. Ao contrário do que acontece com os planos mais panorâmicos, aqui o sujeito é normalmente menos óbvio e muitas vezes tem de ser procurado. Isso pode tornar-se numa vantagem, pois leva à descoberta de sujeitos e enquadramentos, que dificilmente outros poderão recriar. Assim, optar pela utilização de uma lente teleobjetiva, pode contribuir bastante para melhorar o nosso processo criativo.

VANTAGENS

A principal vantagem é, como já foi referido, a possibilidade de se poder construir composições únicas e originais. Outra, tem a ver com o facto de ser possível isolar elementos visualmente interessantes dentro de cenários, por vezes confusos e caóticos, descobrindo paisagens dentro da paisagem, sejam elas representações isoladas de pequenos detalhes ou até abstratas e que normalmente têm a capacidade de questionar quem as visualiza.

Outro uso interessante para esta lente, é a possibilidade de também podermos captar pequenos pormenores, como se de uma lente macro se tratasse, permitindo criar fotografias em locais mais comuns e de área reduzida, como em pequenos bosques ou até jardins públicos.

DESVANTAGENS

Em vez de desvantagens, chamar-lhes-ia desafios. Um deles, poderá ser a dificuldade e frustração inicial para encontrar composições com algum interesse. Garanto que esse problema será ultrapassado com prática e persistência, pois será sempre necessário treinar os nossos olhos a descobrir ordem e harmonia dentro de áreas complexas. Outro desafio a ter em conta, é apenas técnico e tem a ver com o facto de, com lentes de longo alcance, se não utilizadas seguindo alguns princípios simples, que explicarei mais à frente, as imagens tenderão a ficar desfocadas ou tremidas.

QUE TÉCNICAS USAR

Como já referido, as teleobjetivas são mais suscetíveis de produzir imagens pouco nítidas, se não estiverem devidamente estáveis e a situação agrava-se, quanto maior for a distância focal utilizada. Assim sendo, em primeiro lugar, há que ter a câmara e a lente devidamente estáveis e livres de algo que possa provocar vibração. O uso de um tripé robusto e de um disparador remoto, darão um importante contributo para que o sucesso seja maior. Contudo, muitas vezes, não utilizo o tripé, especialmente quando estou em movimento e com tempo limitado. Nessa altura, asseguro-me que tenho o estabilizador da lente ligado e tento manter a velocidade do obturador igual ou superior à distância focal que estou a utilizar (ex: 200 mm = 1/200 s ou superior). Para que tal seja possível, por vezes tenho de aumentar a abertura e colocar o ISO em auto, se necessário. Não há que ter receio de aumentar os valores do ISO, pois hoje em dia as câmaras lidam bem com esse fator, assim como as técnicas de pós-processamento. Sendo evidentemente um compromisso, sempre digo que prefiro uma imagem com algum ruído, do que uma imagem desfocada.

Por fim, também importante será a forma como seguramos na câmara. Antes de efetuar o disparo, assegurar que nos encontramos sobre uma superfície estável, segurando firmemente a máquina com uma das mãos e com a outra apoiando a lente, colocando os cotovelos junto ao corpo. Para aumentar mais a estabilidade, podemo-nos agachar ou até deitar, assim como utilizar o apoio de algo como uma árvore ou uma rocha. Devemos manter a calma e expirar suavemente no momento de disparar. No fundo, as técnicas serão muito idênticas às usadas na prática de tiro de precisão.

O QUE PROCURAR

O que procuro normalmente e como já mencionado, são as partes isoladas que sobressaiam num cenário mais vasto e que, particularmente, me chamem a atenção. Concentro-me nessas áreas em busca de contrastes, linhas, formas, cores que se complementem e algo que desperte curiosidade ou conte uma pequena história.

No caso de querer algo mais abrangente, opto por imagens em sequência, varrendo uma área maior e criando panoramas.

Uso quase sempre o display para pré-visualizar o resultado final e grande parte das vezes, não sigo regras específicas, apenas o instinto e o meu gosto pessoal.

Na verdade, as possibilidades são imensas para se ser criativo. Podem-se usar elementos, que isolados se tornam abstratos e evocadores de ilusão e mistério, algo bem mais difícil de conseguir nas composições obvias e muitas vezes sem alma, criadas pelas grandes angulares.

Chego á conclusão que a teleobjetiva tem sido a minha lente mais utilizada nos últimos tempos. É claro que se trata de uma preferência pessoal, podendo não servir para todos, mas vale a pena dar-lhe uma oportunidade, pois pode contribuir em muito, para uma maior evolução criativa.

Por fim, não irei recomendar nenhum produto especifico pois, dependendo da marca, existem muitas opções. Contudo este artigo não se focando propriamente nas teleobjetivas mais extremas, nem nas mais dispendiosas rápidas e de abertura constante, foca-se essencialmente nas mais portáteis, versáteis, com distancia focal até aos 200 mm, com uma boa relação qualidade preço e que são mais que suficientes para produzir ótimos resultados, sem pesar muito na mochila e também na carteira.

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