Baixar as Expectativas

Porquê culpar a luz, que não vem ou decide aparecer no sitio errado?

Porquê culpar a chuva, que surge no momento menos próprio?

Porquê culpar o vento, que só vem atrapalhar?

Porquê a frustração com as composições imperfeitas, quando algo não está no local certo ou nem sequer deveria fazer parte do cenário?

Estes são alguns dos pensamentos que parecem inquietar-nos, quando no terreno, desejamos muito criar algo “perfeito”, mas onde tudo parece estar contra nós. Na verdade, a natureza nunca está nem estará contra nós, simplesmente não quer saber, o que fazemos ou pensamos.

O relaxamento natural que deriva de uma saída sem planos demasiado elaborados, tem-me proporcionado uma ligação com a natureza, muito mais calma e focada. Tendo a descobrir com maior facilidade, detalhes dentro da complexidade da paisagem, coisas aparentemente banais que se transformam em pequenas narrativas e onde tento adicionar algo de mim próprio. Ignoro as pressões da pré-visualização, não para que ela deixe de existir, mas para que simplesmente não domine o meu processo criativo.

“Quando a vida apenas te der limões, então faz limonada.”

– Desconhecido

É certo que planear, ajuda a aumentar as probabilidades, mas não dá muitas garantias de sucesso. Por isso, o ato de não criar demasiadas expectativas pode, muitas vezes, reverter as coisas a nosso favor.

É normal querer concretizar uma determinada ideia, especialmente quando se tem tempo limitado ou se está num lugar distante e onde dificilmente se irá voltar. Todavia, se não existirem condições para que esta se realize, será só alterar o plano e seguir outro caminho, que muitas vezes, pode conduzir a algo inesperado e memorável.

Não vale a pena reclamar com a natureza, lembrando que o mais importante é estar presente e disfrutar da sua companhia. As fotografias vêm apenas por acréscimo, podendo até nem aparecer de todo.

Avançar sem grandes expectativas é divertido, pois estamos mais sujeitos ao factor surpresa e tornámo-nos mais observadores e instintivos. Ao mesmo tempo, evitamos a decepção e o desencanto, assim como a pressão para criar algo a qualquer custo.

Por tudo isso, sê curioso como uma criança e parte à descoberta. Aceita o que natureza te dá e acima de tudo está presente e aprecia o momento. Não queiras nem esperes demasiado, e lembra-te que a experiência da exploração é mais importante e recompensadora que a mera colecção de imagens.


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