As dez favoritas de 2019

Fazer a seleção das imagens favoritas do ano que termina, parece-me um ótimo exercício mental, que pode dar sinais muito interessantes acerca do que presentemente, tem moldado o meu processo criativo. Embora a avaliação que cada um de nós faz do seu próprio trabalho, possa estar carregada de subjetividade e carente de distanciamento, não deixa de constituir uma parte muito importante do crescimento como artista.

Ao contrário de muitos, não pretendo eleger as fotografias que acho terem sido as mais populares ou que obtiveram mais “likes” ou “comments”, mas sim as que realmente me tocaram a alma, que me relembram uma experiência e que ao mesmo tempo me dão vontade de imprimir e colocar numa parede de casa. Chegar a um número reduzido de imagens finalistas (dez, neste caso), é que torna a tarefa um pouco mais difícil.

Após concluir a minha escolha, constato logo à partida que as minhas dez favoritas deste ano, revelam uma maior e crescente ligação com a floresta e com os elementos que nela existem (em especial com determinados tipos de árvores). Por outro lado, parece haver agora, um número muito inferior de planos mais amplos e abrangentes, em contraste com os cenários mais reduzidos e intimistas e onde as formas e certos tons se destacam. Em quase toda a seleção parece notar-se, um olhar mais atento, não à grande paisagem, mas sim a pequenas histórias que vão acontecendo dentro dela (uma certa evolução criativa, que me agrada particularmente).

Para finalizar, acho que a análise profunda do nosso trabalho mais recente é também, um processo de introspecção e um caminho para tentar desvendar uma boa parte daquilo que nos atrai e emociona, no momento atual. Também, para os que andam na busca do seu próprio estilo (ou lá o que isso significa), talvez seja este, um dos melhores meios para o descobrir.  


“Escolher é excluir”

Henri Begson


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